Reeleita com 205 mil votos, Coronel Fernanda quer ampliar para 80% votação de presidenciável em MT
A deputada federal reeleita Coronel Fernanda afirmou que sua principal prioridade, neste momento, é trabalhar pela eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Ela foi reeleita com o recorde histórico de 205 mil votos (10,77% dos válidos). Em 2022, ela havia obtido cerca de 60 mil votos.
Em entrevista ao MidiaNews, ela disse que pretende mobilizar sua equipe de campanha para ampliar a votação do candidato no Estado e defendeu uma vitória “estrondosa, revolucionária e histórica”.
“O Brasil está na UTI e para tirar o remédio chama-se Flávio Bolsonaro”, afirmou a parlamentar, ao pedir que os eleitores que apoiaram sua candidatura busquem novos votos para o senador no segundo turno.
Segundo a deputada federal, a meta agora é chegar a 80% ou até 85% dos votos em Mato Grosso. “Temos que trabalhar dia e noite até as eleições. Vai ser exaustivo, mas tenho certeza que a gente chega lá”, declarou.
A deputada federal defendeu, também, mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que os ministros não deveriam permanecer nos cargos indefinidamente. Sobre eventual impeachment de ministros, disse esperar que seja possível, mas voltou a destacar a necessidade de eleger Flávio Bolsonaro para viabilizar articulações no Senado.
“Eu preciso que o presidente nosso seja eleito para exigir, cobrar e saber as artimanhas que vai precisar colocar lá para que as pautas que a gente precisa colocar em plenário aconteçam”, afirmou.
Confira os principais trechos da entrevista:
MidiaNews – Coronel Fernanda, em uma avaliação rápida desse processo que nós passamos do cenário eleitoral nacional, ele foi um voto geral antissistema e também de renovação?
Coronel Fernanda – Eu acredito que sim. Nós estamos em um processo ainda que não terminou. Nós estamos trabalhando agora a eleição do Flávio Bolsonaro. Em Mato Grosso, pelo o que eu vi, ele teve 65% mais ou menos de intenção de votos. Precisamos melhorar aqui, aqui tem que chegar a 80, 85%, temos que trabalhar dia e noite até às eleições agora do segundo turno.
Vai ser exaustivo, mas tenho certeza que a gente chega lá. Todos aqueles que apoiaram e acreditaram na Coronel Fernanda, eu peço aqui, já começo pedindo o voto para o Flávio Bolsonaro e que cada um assuma o compromisso de buscar 10, 20, 30 votos a mais para ele e que o nosso Brasil precisa disso com urgência.
O Brasil está na UTI e para tirar a UTI o remédio chama-se Flávio Bolsonaro.
MidiaNews – A senhora ficou surpresa com essa votação que teve para deputada federal?
Coronel Fernanda – Eu sabia que eu estava em primeiro lugar, apesar das pesquisas que foram fraudadas, muitas delas fraudadas para atender interesses políticos de outras pessoas, mas a pesquisa do povo já dizia que a Coronel Fernanda estava em primeiro lugar, trabalhei muito para que isso se concretizasse.
Quero agradecer aqui a cada um que me acompanhou dia e noite, todos que acreditaram na Coronel Fernanda, no Estado inteiro. Mais uma vez tive voto em todos os municípios do Estado de Mato Grosso. E quero dizer que aquele que é fiel a Deus, e eu creio nele, e vamos continuar trabalhando para que a gente possa fazer o melhor pelo Estado.
MidiaNews – Essa onda, vamos dizer assim, bolsonarista, estão chamando de tsunami, ela veio para suplantar décadas de governos do PT e da esquerda?
Coronel Fernanda – Em nome de Deus, isso vai ser possível. Agora é Flávio Bolsonaro.
MidiaNews – Como é que a senhora avalia o peso da reeleição do governador Otaviano Piveta e do ex-governador Mauro Mendes, que é um quadro novo na política nacional, o que representa isso?
Coronel Fernanda – Eu acho que o Pivetta, ele tem que ser reconhecido pela capacidade dele, é um amigo, nós estávamos em polos diferentes, exatamente porque eu tenho uma postura muito ética.
Eu já tinha falado isso para ele, quando ele me chamou para conversar lá no meio do ano passado, sobre a campanha dele, e eu me posicionei em relação a ele. Eu não posso ser diferente do PL, eu tenho um posicionamento, eu acho que ninguém gosta de ter um traidor do seu lado, e eu não fui traidora do PL.
Eu fui muito clara sobre isso para ele, que eu não poderia enganar. Não era isso que ele queria, e eu mantive essa postura, mesmo colocando em risco, a gente tem que ser a gente para ganhar ou para perder.
A gente não pode ficar pulando de galho em galho, não podemos ficar em cima do muro, eu não posso ficar do lado só de quem possa me trazer algum benefício. Eu tenho que ser quem eu sou, eu sempre me mantive firme, perdendo ou ganhando, sempre me mantive firme, acreditando nos meus propósitos, representando as pessoas. Eu durmo muito bem, eu tenho um sono tranquilo.
Eu não posso primeiro deixar de ser quem eu sou dentro da minha casa. Se eu ficasse pulando para lá e para cá, como que eu posso chamar a atenção de um filho quando ele erra?
E eu estou feliz, eu já parabenizei a Gisela, eu e a Gisela, uma parceira minha na Câmara Federal, quero dizer que nós nos surpreendemos e que o Mato Grosso nos fez surpreender ela como mulher, eu como mulher, sendo hoje reconhecida, estou muito alegre por ela.
Mas me mantendo na postura de ser PL, foi a legenda que me deu a oportunidade de entrar na política, foi a legenda que me elegeu como deputada no primeiro mandato, e me elegeu agora no segundo mandato.
A minha fidelidade é com os projetos do PL e eu não posso fugir dela. Estou aqui para servir Mato Grosso, mas servindo Mato Grosso, respeitando tudo aquilo que eu acredito, e lealdade é um dos princípios que a gente não pode jamais deixar de lado.
MidiaNews – A senhora falou de traição e lealdade. Faltou lealdade e o Wellington foi traído pelos principais prefeitos do PL?
Coronel Fernanda – O Wellington não, o PL foi traído, não é o Wellington. Ele, também como eu, é representante do partido, mas o partido foi traído e eu acho que a gente tem que repensar o partido no Estado de Mato Grosso e dizer que se eu não sou leal com o partido, quem dirá com a população.
MidiaNews – A senhora pode pleitear a direção estadual do partido?
Coronel Fernanda – Eu agora estou pleiteando somente conseguir os votos para o Flávio Bolsonaro, o que o futuro espera, eu não sei, eu sei da minha missão, meu compromisso com o Flávio Bolsonaro.
MidiaNews – Quando a senhora percebeu a dimensão da sua votação, em que momento aconteceu isso, onde a senhora estava, qual foi a primeira reação, quando a senhora viu muitos votos na apuração?
Coronel Fernanda – Eu estava muito tranquila, muito serena e eu estava na minha casa, porque eu tinha organizado para a gente acompanhar a votação em um local e meu filho disse: mãe já começou a apuração, quando eu fui ver estava nos 20% apurados, e eu já estava liderando, com metade dos votos que eu tive no primeiro mandato. E eu falei que Deus é fiel, Deus falou que eu ia sobressair, eu estava ali agradecendo já a Deus pela oportunidade e a coisa aconteceu. Meu sonho era chegar a 240 mil, mas cheguei perto, 205 mil votos é uma grande votação.
MidiaNews – Em 2022, a senhora teve cerca de 60 mil votos, e agora 205 mil votos. Existiu algum trabalho de campanha, o que explica esse salto e em que momento é perceptível isso na reta final da campanha? Seria um eleitorado novo alcançado?
Coronel Fernanda – Mas eu desde o ano passado estava liderando já as pesquisas, até o início da campanha eu estava em primeiro lugar. Durante a campanha, aquelas questões de quem pode aparecer em pesquisa, quem não pode, mas eu sabia do trabalho que eu fiz, da minha dedicação. Eu me dediquei aos quatro anos ao povo de Mato Grosso.
As pautas que ninguém queria cuidar, das pessoas mais humildes que ninguém queria cuidar, das ações, necessidades, fui fiel ao povo de Mato Grosso. Eu em momento nenhum negociei com A ou com B, eu fui eleita pelo povo e eu estava ali pelo povo. Então eu sabia que eu ia chegar muito bem avaliada, onde eu ia. E isso foi a prova dos votos que eu tive. Não foi uma coisa construída durante a campanha, foi uma coisa construída durante os quatro anos, eu não esperei fazer no último ano para me aparecer.
Eu fiz do primeiro dia que eu me coloquei o pé na Câmara Federal, eu comecei a trabalhar para Mato Grosso e vou continuar fazendo do mesmo jeito, essa é a Coronel Fernanda. Meu trabalho ele é constante, eu me coloco, eu tenho comigo que eu tenho que sempre estar olhando a dor do próximo, porque quando eu vejo alguém com dor, eu tenho que trabalhar para ajudar que aquela dor seja amenizada, porque eu gostaria que alguém pensasse em mim, se a dor fosse minha.
A empatia, a gente tem que olhar as pessoas, minha filha fala: mãe, a gente tem que olhar as pessoas com mais humanidade, e é isso mesmo, a gente tem que se colocar no lugar do outro e sempre pensar qual é a solução que a gente pode ter para resolver aquele problema.
MidiaNews – Se fosse para pensar no eleitor na hora do voto, a senhora diria que a escolha foi pela confiança na Fernanda, é a confiança na coronel ou é mesmo confiança no bolsonarismo?
Coronel Fernanda – É os três juntos, porque se a gente fosse considerar só confiança no bolsonarismo, nós tivemos outros dois candidatos que se eu não tivesse a votação que eu tive, eles não estariam hoje eleitos, não teria sido puxado para assumir a cadeira. É a confiança na Coronel Fernanda, porque o Bolsonaro confiou na Fernanda em 2020.
É a confiança na Coronel Fernanda, na confiança da mulher forte, da mulher corajosa, é o conjunto de tudo, eu não existo sem o Bolsonaro. Eu não existo sem a Coronel Fernanda e eu não existo sem a Fernanda, então são três posicionamentos importantes que se transformaram em um e, principalmente, eu não posso deixar de falar, não foi nenhum dos três juntos, foi Deus, então é os três comandados por Deus.
MidiaNews – Sem sombra de dúvida, pela votação que a senhora teve de mais de 10% do eleitorado de votos válidos, vai ganhar um peso importante nas eleições municipais, é isso mesmo? A eleição de Cuiabá, por exemplo, passa pela orientação e sugestões que a Coronel Fernanda vai fazer?
Coronel Fernanda – Eu vou cuidar disso depois da eleição do Flávio, agora é Flávio, Flávio Bolsonaro, é 22, mais uma vez a minha fidelidade com 22 e é 22 para frente.
MidiaNews – Passada essa emoção inicial da vitória, de mais votada de toda a história política do Estado de Mato Grosso para deputada federal, isso certamente trará uma série de responsabilidades. O que que a senhora pretende fazer de diferente nesse novo mandato para manter a confiança do eleitorado e fazer a transformação que o Estado precisa?
Coronel Fernanda – Eu acho que eu não tenho que fazer nada diferente, eu tenho que ser o que eu sempre fui, trabalhar pelo Mato Grosso, foi aí que eu fiz, as pautas principais, defesa do agro, a defesa da mulher, a defesa da propriedade, a defesa daquele cidadão mais humilde, eu tenho que continuar do jeito que eu sou, não adianta eu querer fazer um prato cheio de complementos e não dar conta nem do básico, eu tenho que continuar sendo eu, lutando por toda vez que alguém precisar de alguém para lutar por ele, eu vou estar lá.
MidiaNews – A senhora acredita que teve alguma atuação ou algumas bandeiras e atuações durante esse mandato que o eleitor reconheceu? Existe algum que precisa dar mais uma tração, uma vazão para que ele se concretize? Quais são esses projetos?
Coronel Fernanda – Eu tenho que, a questão do agronegócio, eu quero ver a moratória finalizada de vez, a questão da territorialidade, a gente resolver essa questão das reservas indígenas para que a gente tenha segurança jurídica e que quem está produzindo não corra o risco de ser retirado das terras, a questão do INCRA.
MidiaNews – A senhora se refere ao Marco Temporal das terras indígenas?
Coronel Fernanda – Marco Temporal, a gente não pode deixar a questão do INCRA, da omissão do INCRA, da omissão do governo federal, de entregar o título de propriedade para todas as pessoas que foram colocadas nos assentamentos há 20, 30 anos atrás e hoje ficam ainda sendo coagidos pelo governo federal, não podemos permitir mais que isso aconteça.
A defesa das mulheres, nós temos que cada vez mais cobrar do governo, tanto estadual como federal, ações efetivas na proteção das mulheres, das crianças, então nós temos muita coisa ainda para ser feita e se Deus quiser nós vamos estar trabalhando nesse sentido. E principalmente, a previdência social que sofreu esse rombo bilionário e que nós não podemos deixar parado, esquecido, não. Temos que correr atrás para resolver essas questões, porque quem contribui ali é obrigatório, é o trabalhador e esse trabalhador está sem deixar de lado.
MidiaNews – Na questão da previdência, existe sempre um debate de que o que se arrecada não cobre algumas aposentadorias futuras. A senhora acredita que tem que mudar algo nesse processo de previdência?
Coronel Fernanda – Tem que mudar. Eu acho que a previdência tem que ser exclusiva para o trabalhador, ela não pode estar envolvida com questões sociais. Questões sociais têm que ser colocadas em uma pasta à parte, nós temos que remodelar toda a previdência social para que o trabalhador se sinta seguro, porque aquilo que ele coloca ele possa realmente ter de volta no futuro.
Nós não podemos, nós temos que sentar, colocar a previdência numa mesa, analisar todos os dados dela e achar o melhor caminho.
MidiaNews – Quando a senhora saiu da polícia militar, entre aspas, e foi para a política, qual foi a realidade que a senhora encontrou em Mato Grosso e passou a enxergar? Houve alguma situação que mudou a sua convicção pessoal entre quando a senhora atuava na área militar e agora como representante do povo?
Coronel Fernanda – Na polícia, eu seguia regras, normas, eu não podia fazer nada, eu tinha uma ética muito forte, continua, essa é a base da minha vida. Na política, eu aprendi que não existe muito isso. A ética, ela não é um ponto focal, ela não é um ponto importante, porque você vê, a gente viu as traições, os interesses pessoais, acima, às vezes, do interesse daqueles que te colocaram lá.
Na polícia, eu tenho que seguir o interesse da população, de fazer a ordem pública, de preservar, promover a segurança, proteger aqueles que estão em perigo. Na política, essa deveria ser um dos pontos principais, mas, infelizmente, não é. Então, eu senti muita dificuldade nisso, eu olhava, às vezes, algumas situações, eu falava, mas isso não pode acontecer, eu ia para cima daquelas, não, não é assim. Então, a política é totalmente diferente da minha vida como servidora da segurança pública.
MidiaNews – Nesse processo, no Congresso Nacional, geralmente, se tem um embate de ideias, de votações, qual que é o limite da Coronel Fernanda para negociar uma pauta importante, ou ceder alguma questão pra tentar avançar um projeto que vai ter ganho social mais para frente?
Coronel Fernanda – O limite é não trazer prejuízo pro Estado de Mato Grosso. Esse é o principal limite. As pautas que a gente sente em negociação são pautas que têm que trazer algo positivo para o Estado de Mato Grosso. Se não trouxer nada de positivo para o Mato Grosso ou para o Brasil, fica fora.
MidiaNews – Nesse processo de negociação, e agora na eleição de 2022, o PL elegeu 4 deputados federais, e nessa atual eleição elegeu 3. Como a senhora pretende transformar essa força partidária em influência em decisões importantes da bancada dentro do Congresso Nacional? E qual será a primeira prioridade que já vamos tratar de imediato ainda este ano, antes de assumir o novo mandato?
Coronel Fernanda – A primeira prioridade este ano ainda é a eleição do Flávio, e as outras coisas, para mim, só vou tratar depois da eleição dele, que é a prioridade número 1, não, número 0, e eu tenho que estar focada somente nesse momento na eleição dele.
MidiaNews – A senhora não tem ainda um desenho de algumas prioridades que pode encaminhar este ano, alguma questão de orçamento para garantir recursos ano que vem em políticas públicas?
Coronel Fernanda – O orçamento não vai ser tratado agora em outubro, vai ser tratado só a partir de novembro. Então, o meu foco é só Flávio Bolsonaro.
MidiaNews – Falando em Flávio Bolsonaro, o desempenho que ele teve em nível de Mato Grosso e também em nível de Brasil é o suficiente pra garantir a vitória dele no segundo turno?
Coronel Fernanda – Não, eu quero que ele ganhe como eu ganhei, de forma estrondosa, revolucionária, histórica, e pra isso eu tenho que focar e trabalhar mais ainda, me dedicar 24 horas pra que ele seja surpreendido pelo Estado de Mato Grosso. Eu quero chegar aqui a 80% dos votos em favor dele.
MidiaNews – A senhora acredita, por exemplo, que em nível nacional isso está bem encaminhado? Precisa ampliar alguma questão? Por exemplo, o Cury e o Renan acabaram de dizer que estão neutros. Não vão optar nem por Lula, nem por Flávio?
Coronel Fernanda – Nada, esses caras foram colocados para apoiar o Lula. Mas eu não vou entrar nesse mérito. Eu vou entrar no mérito que o dia 14 vamos ter uma primeira reunião de alinhamento em Brasília, já fomos convocados pelo presidente Valdemar, e vamos estar trabalhando, e dali deve sair as diretrizes para eleição do Flávio.
MidiaNews – A senhora pretende levar nessa reunião algum pleito de Mato Grosso, algo como na hora de definir as diretrizes ressaltar ao Flávio algum projeto muito importante para Mato Grosso. Qual seria, por exemplo?
Coronel Fernanda – Pavimentação das BRs que não foram pavimentadas na região do Araguaia e outras regiões do Estado de Mato Grosso, Noroeste. A questão da regularização fundiária, urgente, acho que esse é um dos pontos importantes para Mato Grosso. E aí vem a questão da previdência social, a defesa da mulher, nós temos, assim, várias ações, o Flávio é uma pessoa que ouve muito a gente, nós começamos lá no início da campanha dele, em reuniões fechadas com cada categoria, com as mulheres, com os policiais, pra ouvir e ajudar.
MidiaNews – A senhora e a deputada federal Rosa Neide, que retornará, ao cargo de deputada, são duas grandes expressões femininas no Congresso com essa eleição. Existe algum momento ou projeto que a senhora pode procurá-la para trabalhar junto em nome do Estado de Mato Grosso? A senhora avalia como o eleitor enxergaria esse movimento diante dessa polarização?
Coronel Fernanda – Eu sempre tratei todo mundo com muito respeito. A prioridade pra mim é Mato Grosso, é povo brasileiro. E vai chegar momentos que eu vou precisar conversar pra conseguir número de votos.
Lá na Câmara a gente ganha as ações com votos. E tudo que for para o Estado de Mato Grosso, eu vou estar fazendo. Não quer dizer que eu vou levar pra minha casa pra ser minha amiga, não quer dizer que eu vou estar junta, não.
Eu sou profissional, eu sou ética e vou continuar. Se com meus colegas de partido. Eu não admito coisa errada que dirá de partido os outros. Mas eu vou estar fazendo o meu melhor pelo Estado de Mato Grosso, pela população de Mato Grosso, que precisa ainda de muito cuidado e muita atenção.
MidiaNews – A senhora teve uma vitória expressiva, com o resultado de mais de 205 mil votos. Mas o candidato ao governo e a candidata ao Senado que a senhora apoiou, que estava na coligação, não tiveram grande desempenho? Ficaram abaixo da expectativa. Por que a força da senhora mostrada no voto não se transferiu para eles? E o que houve de errado nessas duas campanhas?
Coronel Fernanda – Eu não vou dizer o que houve de errado na campanha do Wellington, da própria Janaina. Eu fui fiel ao meu partido e vou continuar sendo fiel ao meu partido. Meu partido tinha um projeto, era ajudar na eleição do Flávio Bolsonaro.
O Wellington tinha esse compromisso e ele cumpriu esse compromisso. Tanto é que Mato Grosso, 65% de votos foram para o Flávio. E agora a gente tem que olhar para frente e continuar buscando. O Pivetta foi eleito, eu já conversei com a Gisela, minha amiga de parlamento. A gente está junto na entoada, não consegui falar com o Pivetta ainda, mas eu, sendo eleita como fui, é dizer que estou à disposição, como sempre, conversei com todo mundo, sempre tratei todo mundo com respeito. Agora, aqueles que me faltaram com respeito aí, conversa comigo, ela é curta e grossa.
Eu não mando recado, eu falo o recado na cara da pessoa. Eu trato com respeito, é só me respeitando, não passando o limite, estamos todos trabalhando juntos. Agora, se você me faltou respeito, você aguenta as consequências que eu vou para cima de você de qualquer jeito.
A minha formação na polícia foi proteger. Então, se eu precisar me proteger, eu vou fazer isso. Eu não faço isso porque eu tenho a vontade de machucar, não. É um instinto que Deus me deu de proteção, de preservação, e eu vou continuar sendo isso. Quem trabalha comigo sabe como eu sou. Mas isso é um trabalho, falo que é uma ação momentânea, e eu não desejo mal a ninguém, não trabalho contra ninguém, não prejudico ninguém, não falo para sacanear ninguém.
Já ajudei muitos dos meus opositores, já ajudei muitos dos meus inimigos na vida, toda a minha vida, e eu fico alegre quando eu ajudo alguém. Eu ganho muito mais quando eu ajudo do que quando eu me estresse com alguém. Então, eu prefiro ajudar alguém. E eu vou continuar ajudando.
MidiaNews – Depois de apoiar o candidato ao governo, o senador Wellington, como será o seu relacionamento com o governador Pivetta? E qual seria a pauta prioritária que vocês devem começar a tratar nessa relação de benefício para Mato Grosso?
Coronel Fernanda – Primeiro que o Pivetta sabe do meu posicionamento. No ano passado, ele me procurou para me apoiar ele, e eu fui muito clara com ele que eu não poderia. Se ele tivesse vindo para o PL, ele teria meu apoio 100%.
Eu não poderia trair ele, sendo que eu tinha um candidato dentro do meu partido. Ele sabia disso. Ainda perguntei para ele, você gostaria que eu me traísse? E ele sabe que, com todos os meus defeitos, eu tenho uma postura séria, sincera e honesta. Eu acho que era essa a postura que os políticos deveriam ter. Olhar mais para o projeto coletivo do que para os projetos pessoais.
E eu sempre olhei para os projetos coletivos. Para atender a população e não atender a Coronel Fernanda.
MidiaNews – Nesse caso, tem alguma pauta específica para levar que tende a trabalhar a Coronel Fernanda com o governo Pivetta?
Coronel Fernanda – Tem. Eleição de Flávio Bolsonaro até outubro. Depois de outubro, eu venho aqui e falo das minhas pautas. Mas a pauta principal e única é Flávio Bolsonaro.
MidiaNews – Com José Medeiros e o ex-governador Mauro Mendes eleitos senadores, como é que fica o poder de articulação em Brasília para o Estado de Mato Grosso? Tem alguma agenda conjunta, apesar das divisões de campanha que teve?
Coronel Fernanda – Eu acho que agora começa tudo de novo, renovação. E a gente tem que trabalhar as pautas que beneficiam o Estado. Essa é a minha principal pauta. Mas, como eu falei, até o final de outubro é Flávio Bolsonaro.
MidiaNews – A senhora está insistindo bastante, reforçando a questão da prioridade do segundo turno de Flávio Bolsonaro. A senhora já disse que tem que ampliar a meta para 80%. E a senhora vai participar de alguma atividade da coordenação nacional, de repente das mulheres ou de outra coisa parecida?
Coronel Fernanda – Quarta-feira a gente vai estar sabendo quais missões que a gente vai receber. Mas uma das missões que eu tenho é acionar toda a minha equipe que ajudou na minha eleição para ajudar o Flávio Bolsonaro. Daqui a pouco eu tenho uma reunião com a minha equipe para a gente ver o que dá para ser feito. Mas a direção vem agora do Valdemar, que vai ser nossa reunião de quarta-feira.
MidiaNews – A senhora fará alguma tratativa para conversar com o Balbinotti para ajudar nesse processo da campanha local? Porque ele declara-se Flávio Bolsonaro. Você já tem um desenho ou não aqui no Estado?
Coronel Fernanda – Eu não tive tempo ainda nem de pensar. Primeiro eu tenho que pensar no meu núcleo, para depois eu estar trazendo os núcleos de cada um e a gente fazer uma composição única.
MidiaNews – Existe algo mais que a coronel Fernanda pretende avançar do ponto de vista de políticas públicas?
Coronel Fernanda – Eu acho que os avanços que eu possa ter nas políticas públicas ou qualquer outra situação passa primeiro pela eleição presidencial. Então antes de eu falar que eu vou fazer isso ou aquilo sem saber o resultado das eleições presidenciais é falar ao vento. Nós temos que primeiro saber quem vai ser o presidente porque de acordo com como vai ser o presidente eu vou saber se eu vou ter uma luta mais fácil ou uma luta mais difícil.
Uma luta mais fácil com o Flávio é reconhecimento das pessoas que estão nos assentamentos entregar os títulos para elas. Se infelizmente acontecer o contrário a luta vai ser garantir que essas pessoas não sejam retiradas de suas casas não percam seus afazeres, que não sejam criadas novas reservas indígenas que o povo indígena, por exemplo, tenha o direito de trabalhar na sua terra como eles querem não como o governo quer tudo vai depender da eleição e qual lado, qual rumo eu vou ter que me enfrentar se eu vou ter que ser mais combativa ou se eu vou ser mais propositiva se eu vou ser mais vitoriosa nas pautas ou eu vou ter que lutar tudo depende das eleições presidenciais.
MidiaNews – A senhora está reforçando bastante a questão do peso da votação que teve por essa onda que nós estamos dizendo do Flávio. A senhora descarta totalmente uma reeleição do Lula? A senhora não vê horizonte para isso?
Coronel Fernanda – Eu acredito naquilo que eu quero eu tenho um posicionamento meu posicionamento, não existe reeleição existe a eleição do Flávio quem está pensando na reeleição é quem está concorrendo por ela e essa pessoa eu não quero perto de mim eu quero o Flávio eleito e eu tenho que pensar somente nisso eu não tenho que me preocupar com lá de lá eu tenho que me preocupar como é que eu vou chegar e meu objetivo agora aqui é ajudar a eleger o Flávio Bolsonaro
MidiaNews – Uma questão que não pode ficar fora do nosso debate aqui é o STF com 28 senadores que foram eleitos. Já é possível pensar em úm impeachment de Alexandre de Moraes e outros ministros do STF?
Coronel Fernanda – Eu espero que sim mas como eu disse, a gente tem que trabalhar nesse momento o Flávio eu não entendo ele é a mola propulsora da política do Brasil então eu preciso dele até mesmo para negociar no Senado essas pautas que a população tem clamado não adianta hoje, por exemplo o presidente do Senado é contra essas pautas quem decide que pauta que vai entrar em plenário não é ele então eu preciso que o presidente nosso seja eleito para ele exigir, cobrar e saber as artimanhas que ele vai precisar colocar lá para que as pautas que a gente precisa colocar em plenário aconteçam.
MidiaNews – Coronel Fernanda, nós debatemos sempre aqui as questões das relações institucionais entre os poderes, está claro no Brasil que o Judiciário está legislando e o Legislativo está fazendo o papel do Executivo com as emendas. A senhora defende uma reforma política? Quais pontos defende para alterar esse processo?
Coronel Fernanda – Eu acho que o STF não pode ser adieterno como está aí, tem que ser eleito também, eu acho que tem que ter um período de tempo e nós temos outras ações, em relação às emendas eu entendo que são importantes e a gente tem que mantê-las porque eu apliquei as minhas emendas nas APAES.
Eu apliquei as minhas emendas nos municípios pequenos na infraestrutura de Cuiabá, na infraestrutura de Várzea Grande, eu consigo olhar os problemas de perto coisa que o governo federal não tem acesso então as emendas elas são importantes para todos os municípios ela não é para mim, ela é para ajudar a população de Mato Grosso.
MidiaNews – Quando a senhora fala de mandato de ministro do STF tem uma ideia de estipular de quanto tempo deve ser esse mandato?
Coronel Fernanda – Eu acredito que ele poderia ser o mesmo tempo que o de um senador, 8 anos, no máximo, poderia ser até de um deputado federal 4 anos, só que 4 anos você não consegue tempo suficiente para finalizar um processo judicial infelizmente ainda é muito moroso no nosso país, então eu acho que 8 anos é o tempo máximo.
MidiaNews – E esse processo também da escolha dos ministros, que não fique só na mão do Executivo, no caso seria tipo uma comissão, como já se ventilou, inclusive por várias lideranças políticas um conselho para eleger os ministros do STF?
Coronel Fernanda – Eu acho que a gente tem que esperar agora esse momento focar em um único processo que é a eleição, depois disso a gente trabalhar o que seria melhor para essa situação.
MidiaNews – Mas a senhora é favorável a uma reforma política com alguns pontos de mudança, não só do Judiciário, mas também do próprio Congresso?
Coronel Fernanda – Olha, já tem um ponto importante agora para as eleições de 2030, por exemplo, que vai ser a eleição de vereador a presidente da República. Uma eleição só, não vai ter reeleição.
Então diminui o gasto público com a eleição, facilita a escolha, ninguém vai ficar pulando de lá para cá, nós vamos ter uma eleição mais tranquila. Ou você será candidato a vereador ou você será candidato a deputado. Você não vai confundir a cabeça da população. Você não vai usar as eleições como acontece hoje, muitos usam não para serem eleitos, mas sim para manter a sua próxima eleição, um trampolim político. Então eu acho que as coisas elas tem que ser mais claras, em 2030 isso já vai acontecer.
Fonte: MidiaNews
