Escolha medirá influência de Jayme sobre o União ou indicará se Pivetta conseguiu conquistar o partido
A convenção do União Brasil, marcada para esta quinta-feira (30), representa mais do que a definição do rumo eleitoral da sigla em Mato Grosso.
Colocará frente a frente dois ativos distintos: de um lado, o capital político construído ao longo de décadas pelo senador Jayme Campos; de outro, o peso da máquina estadual e a perspectiva de poder representada pelo governador Otaviano Pivetta, em franco crescimento na disputa pelo Palácio Paiaguás.
No papel, Jayme entra na convenção com uma vantagem difícil de mensurar, mas reconhecida nos bastidores. Ao longo de sua trajetória, consolidou relações de confiança com deputados, lideranças estaduais, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças municipais que integram os membros que vão votar na convenção do União.
Muitos desses dirigentes receberam apoio político e recursos destinados pelo senador para seus municípios, formando uma rede de lealdade construída ao longo de anos.
Essa afinidade pessoal pode ser determinante em uma eleição interna, na qual o voto – secreto – não é dado pelo eleitor comum, mas por dirigentes partidários que conhecem de perto a história e a influência de cada liderança.
Do outro lado está Pivetta, que, embora sequer dispute a convenção do União, representa aquilo que tradicionalmente exerce forte influência sobre partidos: a perspectiva de continuidade do poder.
Como governador e candidato à reeleição com o apoio do grupo liderado por Mauro Mendes, Pivetta reúne hoje condições políticas consideradas favoráveis para o êxito em outubro.
É justamente aí que surge o principal dilema dos convencionais: prestigiar a história e a fidelidade partidária de Jayme ou alinhar o partido ao projeto que hoje reúne maiores perspectivas de vitória eleitoral.
Poder e influência
Na prática, a decisão envolve um cálculo político. Prefeitos e dirigentes costumam avaliar não apenas afinidades pessoais, mas também qual projeto lhes oferece maior capacidade de influência, investimentos e protagonismo nos próximos quatro anos. Mas o resultado da convenção desta quinta pode não encerrar a disputa.
Mesmo que Jayme consiga aprovar a candidatura ao Governo, o processo ainda passará pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. E poderá ainda caber aos dirigentes lá em Brasília analisar o encaminhamento estadual em definitivo, caso haja contestação de um dos lados perdedores.
Nos bastidores, é público que a prioridade nacional da federação é assegurar a eleição de Mendes ao Senado, uma das apostas da legenda para ampliar sua bancada e poder no Congresso Nacional.
Esse fator pode reduzir a margem de manobra de Jayme. Aos 76 anos e no fim do mandato de senador, sua candidatura ao Governo não necessariamente coincide com os interesses estratégicos da direção nacional, que tende a priorizar projetos considerados mais rentáveis eleitoralmente.
Por isso, a votação desta quinta dificilmente será interpretada apenas como uma disputa entre dois nomes. Ela colocará em xeque qual lógica prevalece dentro do União Brasil: a política das relações pessoais, construída por Jayme, ou o pragmatismo eleitoral, que costuma aproximar partidos de candidaturas vistas como mais viáveis.
Independentemente do resultado, a convenção deverá produzir um efeito imediato: medir o tamanho da influência que Jayme ainda exerce no União Brasil e indicar até que ponto o projeto de reeleição de Otaviano Pivetta já conseguiu conquistar o partido por dentro.
Fonte: Midianews
