Ed Motta Jornalista

Agro e evangélicos avançam e mudam perfil das bancadas da AL

Funcionalismo foi uma das pautas que perdeu representantes com a nova composição a partir de 2027

 

A renovação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso mudou a configuração das bancadas temáticas para a próxima legislatura.

O agronegócio e o grupo evangélico e conservador ampliaram a presença, enquanto a segurança pública perdeu um representante com trajetória policial. No funcionalismo, a saída de deputados que apoiavam reivindicações de servidores altera a composição do grupo, apesar de permanecerem parlamentares com histórico de defesa do serviço público.

As bancadas temáticas não têm composição oficial única, e um mesmo deputado pode atuar em mais de uma frente. A análise considera a trajetória dos parlamentares, projetos apresentados e participação em grupos de atuação do Legislativo.

A partir de fevereiro de 2027, a Assembleia Legislativa terá seis novos nomes entre os 24 deputados: Samantha Iris (PL), Alessandra Ferreira (Podemos), Léo Bortolin (MDB), Adelcino Lopo (Podemos), Alcino Barcelos (PL) e Ulysses Moraes (Podemos).

 

 

Agro amplia representação

A bancada ruralista terá Gilberto Cattani (PL), Dilmar Dal’Bosco (União ), Nininho e Dr. Eugênio (Republicanos), Valmir Moretto (Republicanos), Alcino Barcelos (PL) e Carlos Avallone (PSDB). A principal novidade é Alcino, pecuarista eleito para o primeiro mandato na Casa.

Léo Bortolin (MDB) também pode se aproximar da bancada do agro, mas com foco na agricultura familiar e no apoio aos pequenos produtores.

Ex-prefeito de Primavera do Leste e ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Bortolin incluiu o fortalecimento da produção familiar entre as prioridades de campanha, ao lado de propostas para Saúde e Habitação. O perfil abre espaço para atuação tanto em pautas do setor produtivo quanto em demandas dos municípios do interior.

A atuação do grupo envolve pautas como regularização fundiária, legislação ambiental, incentivos fiscais e infraestrutura para o escoamento da produção. Dilmar, por exemplo, coordenou a Frente Parlamentar da Agropecuária e participou de discussões sobre o Cadastro Ambiental Rural e mudanças na legislação ambiental.

A ampliação da presença ruralista não significa, necessariamente, unidade em todas as matérias. O posicionamento dos deputados em projetos ambientais, tributários e fundiários será um dos indicadores do peso efetivo do grupo.

 

Evangélicos e conservadores ganham nomes

A bancada evangélica e conservadora terá Sebastião Rezende (União), Thiago Silva (MDB), Samantha Iris (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos). As duas últimas são as novidades na composição eleita e têm trajetórias ligadas a pautas sociais, infância, família e assistência.

Na legislatura atual, Thiago coordena a Frente Parlamentar Evangélica, que também reune parlamentares como Sebastião e Cattani. A composição da frente anterior, porém, não corresponde automaticamente à bancada que atuará a partir de 2027.

Samantha chega à Assembleia após mandato como vereadora em Cuiabá, com atuação em temas como saúde infantil, educação e causa animal. Alessandra tem trajetória ligada à assistência social e a iniciativas voltadas às mulheres em Rondonópolis.

A presença das duas amplia a representação de parlamentares associados a pautas conservadoras e sociais. A configuração definitiva da bancada evangélica dependerá, porém, da formação de uma nova frente e da atuação dos deputados em temas religiosos e de costumes.

 

Funcionalismo e serviços públicos

A representação ligada ao funcionalismo e aos serviços públicos terá Lúdio Cabral e Valdir Barranco (PT), Dr. João (MDB) e Fabio Tardin (Podemos), conforme a classificação por atuação temática.

A saída de Eduardo Botelho (MDB), Júlio Campos (União) e Paulo Araújo (Republicanos), que não conseguiram se reeleger, reduz a presença de deputados que apoiaram reivindicações dos servidores durante a atual legislatura. Já Janaina Riva (MDB), que também atuava em favor dos servidores, deixa a Assembleia após disputar uma vaga no Senado e perder a eleição.

Esses parlamentares tiveram participação em discussões sobre a Reposição Geral Anual (RGA) e outras demandas do funcionalismo, embora o apoio a reivindicações pontuais não signifique, necessariamente, atuação sindical permanente.

Lúdio e Barranco permanecem como nomes com histórico de defesa dos servidores e dos serviços públicos. A questão será saber se conseguirão reunir apoio de outros parlamentares em votações sobre salários, carreiras e previdência, já que ocupam minoria na Casa.

Ainda nesse quesito, aparecem deputados ligados a serviços públicos e cultura, como os deputados Wilson Santos (PSD) e Beto Dois a Um (Podemos).

 

Segurança perde Elizeu

A principal baixa da bancada da segurança pública é Elizeu Nascimento (Novo), que não conseguiu a reeleição. Com trajetória ligada à Polícia Militar, ele deixa a Assembleia após atuar em pautas relacionadas à categoria.

Na nova composição, Diego Guimarães (Republicanos) e Ulysses Moraes (Podemos) estão entre os nomes associados à agenda de segurança. Ulysses retorna à Casa após ficar fora da legislatura que termina em janeiro de 2027, enquanto Diego tem atuação em temas de fiscalização e combate ao crime organizado.

A saída de Elizeu reduz a representação de um parlamentar com vínculo profissional direto com a segurança pública, mas não significa que o tema perderá espaço em todas as discussões.

Diego e Wilson Santos têm atuação em propostas relacionadas à área, enquanto Cattani, mais identificado com o agronegócio e pautas conservadoras, também defendeu iniciativas voltadas às vítimas do crime organizado.

 

Alianças definirão peso das bancadas

A nova composição indica maior presença do agronegócio e de parlamentares ligados a pautas evangélicas e conservadoras, além de mudanças na representação do funcionalismo e da segurança pública.

O tamanho desses grupos, no entanto, não determina sozinho sua influência.

A participação em comissões e frentes parlamentares, a articulação entre deputados e os votos em projetos de interesse de cada setor serão decisivos para medir o peso das bancadas a partir de 2027.
 

Fonte: Midianews

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