Em meio a uma discussão que já se arrasta há anos sobre os limites territoriais entre Mato Grosso e Pará, uma fala do governador Otaviano Pivetta chamou a atenção pela serenidade, equilíbrio e, principalmente, pela preocupação com as pessoas que vivem na região afetada pela disputa.
Ao participar da audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, Pivetta não adotou um discurso de confronto. Pelo contrário. Sua postura foi a de quem compreende que, acima dos mapas, documentos e decisões judiciais, existem milhares de famílias que dependem diariamente dos serviços públicos oferecidos por Mato Grosso.
O governador demonstrou maturidade ao defender uma solução baseada na cooperação entre os dois estados. Sua proposta é simples e lógica: Mato Grosso está disposto a continuar atendendo a população da região, mas precisa que haja uma compensação financeira por parte do Pará, já que é o estado paraense que arrecada impostos sobre essas áreas.
Os números apresentados durante a audiência reforçam a dimensão do problema. São milhares de atendimentos na saúde, segurança pública, educação e outros serviços essenciais que vêm sendo prestados por Mato Grosso ao longo dos anos. Na prática, quem mora naquela região busca hospitais, delegacias, quartéis da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros mantidos pelo governo mato-grossense.
O ponto mais importante da fala de Pivetta foi justamente retirar o foco da disputa política e colocá-lo na população. Em nenhum momento o governador demonstrou interesse em criar divisões entre os estados. Ao contrário, defendeu a união de esforços para garantir que ninguém fique desassistido.
Também merece destaque sua preocupação com a continuidade dos serviços públicos. Uma eventual mudança administrativa sem planejamento poderia gerar impactos diretos para milhares de cidadãos que dependem dessas estruturas. Por isso, a busca por uma solução negociada e responsável parece ser o caminho mais sensato.
Outro aspecto positivo foi o reconhecimento da importância do diálogo institucional. Ao defender uma parceria entre Mato Grosso e Pará, Pivetta demonstrou respeito às decisões judiciais e disposição para construir um entendimento que beneficie todos os envolvidos.
A manifestação do ministro Flávio Dino segue na mesma direção ao afirmar que existem pessoas e problemas reais por trás da discussão territorial. Essa observação é fundamental. Afinal, não se trata apenas de uma linha divisória em um mapa, mas da vida de milhares de brasileiros que precisam de atendimento médico, segurança, infraestrutura e oportunidades.
Acredito que a postura adotada pelo governador Otaviano Pivetta foi uma das mais equilibradas apresentadas até agora nesse debate. Sua fala foi acolhedora, conciliadora e focada no interesse coletivo. Em tempos de polarização e conflitos, ver uma autoridade defender a cooperação entre estados e o bem comum da população é algo que merece reconhecimento.
Independentemente do resultado final dessa questão territorial, a prioridade deve continuar sendo a mesma: cuidar das pessoas. E foi exatamente essa mensagem que o governador levou ao Supremo Tribunal Federal.
Por Ed Motta – Jornalista e Diretor da TV Mutum

