Dia: 21 de setembro de 2026

  • Assembleia Legislativa quer ampliar Procuradorias da Mulher para os 142 municípios de MT

    Assembleia Legislativa quer ampliar Procuradorias da Mulher para os 142 municípios de MT

    Franciele Claudino Brustolin destaca que o Legislativo estadual assumiu protagonismo no combate à violência doméstica e convoca Câmaras Municipais a estruturarem suas próprias redes de apoio

     

    A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) consolidou sua atuação na linha de frente do combate à violência contra a mulher no estado e busca expandir essa estrutura para todos os municípios mato-grossenses. Em entrevista ao reporterMT, a procuradora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e sub-procuradora da Procuradoria Especial da Mulher da ALMT Francielle Claudino Brustolin, defendeu o fortalecimento do Poder Legislativo como agente ativo na rede de proteção e acolhimento às vítimas.

     

    “Antes a Assembleia Legislativa estava fora da rede, estava fora das discussões importantes relativas à violência contra a mulher. Hoje ela está na linha de frente e esse movimento pode ser feito por todas as câmaras municipais e deve ser feito, afirmou a subprocuradora.

     

    Ela ressaltou que a iniciativa serviu de modelo para o país e que o objetivo atual é interiorizar o atendimento, incentivando que os parlamentos municipais também implementem suas procuradorias dedicadas à pauta.

    A Assembleia Legislativa deu um exemplo pro Brasil inteiro montando esse projeto aqui. É um projeto que veio da Câmara Federal, foi montado aqui e hoje a gente serve de exemplo para muitos estados. E aqui em Mato Grosso a gente tem condição de ter 142 procuradorias municipais, porém ainda temos 55, pontuou.

    Para ampliar a cobertura e garantir que mais mulheres tenham acesso ao atendimento especializado perto de onde moram, a Procuradoria da ALMT tem prestado apoio técnico às Câmaras que desejam estruturar o órgão.

    A gente faz esse trabalho de fomento, conversamos com as câmaras municipais diariamente, apresentamos as soluções, como que faz para montar. A gente presta todo o suporte aqui na Assembleia, inclusive atendendo mulheres do Mato Grosso inteiro. Então a gente pode dar a mão para qualquer município que queira montar na sua Câmara uma Procuradoria da Mulher e ter a Câmara posicionada na pauta da mulher na rede de enfrentamento aí do seu município”, explicou Franciele.

    A subprocuradora destacou ainda que a pauta deve ser abraçada por todos os parlamentares, independentemente do gênero, reforçando o compromisso coletivo dos representantes públicos com a proteção social.

    Fonte:  ReporterMT

  • Transporte Zero atravessará próximo governo; veja o que candidatos propõem para política da pesca em MT

    Transporte Zero atravessará próximo governo; veja o que candidatos propõem para política da pesca em MT

    Uma das políticas ambientais mais controversas da gestão estadual continuará produzindo efeitos durante o próximo mandato. A chamada Cota Zero, ou Transporte Zero, restringe por cinco anos o transporte, armazenamento e comercialização de determinadas espécies de pescado dos rios de Mato Grosso e coloca para o governador eleito a discussão sobre os resultados da medida e o futuro da pesca no estado.

     

    A legislação começou a produzir seus principais efeitos em janeiro de 2024. Após alterações promovidas pela Lei nº 12.434/2024, a restrição passou a alcançar 12 espécies e suas variedades, entre elas cachara, dourado, jaú, pintado, piraputanga e tucunaré. Para as demais espécies, a pesca, transporte, armazenamento e comercialização são permitidos dentro das cotas e medidas previstas na regulamentação.

    A política aparece no Balanço da Agenda Socioambiental de Mato Grosso, elaborado pelo Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT), que faz críticas aos efeitos socioeconômicos da legislação sobre pescadores profissionais e comunidades tradicionais e questiona a disponibilidade de dados primários que permitam comparar os estoques pesqueiros antes e depois da implantação da medida.

    O debate ganha peso na eleição porque caberá ao próximo governo administrar parte importante do período previsto pela lei e participar da avaliação de seus resultados. A legislação determina que, após três anos, sejam analisados aspectos como condições ambientais, estoque pesqueiro, evolução do turismo de pesca e efeitos econômicos sobre pescadores, vendedores de iscas, pousadas e outros segmentos da cadeia.

    Os planos dos candidatos ao Governo abordam pesca, proteção dos rios e desenvolvimento das comunidades ligadas à atividade em diferentes níveis de detalhamento.

     

    Pivetta defende continuidade da política

    Candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos) apresenta a política ambiental do atual governo dentro de uma estratégia de preservação associada à exploração econômica sustentável dos recursos naturais.

    No caso da pesca, a candidatura governista parte de uma política implementada pela própria administração da qual Pivetta faz parte. A Lei do Transporte Zero foi proposta pelo Executivo em 2023 e aprovada pela Assembleia Legislativa.

    A justificativa oficial para a restrição é permitir a recuperação dos estoques pesqueiros. A Sema afirma que, durante o período de vigência da medida, os estoques devem ser estudados por instituições científicas para que seja possível avaliar os efeitos da política.

     

    Wellington propõe conciliar conservação e atividade econômica

    O plano de Wellington Fagundes (PL) trata a política ambiental em conjunto com desenvolvimento regional, turismo e utilização sustentável dos recursos naturais.

    Na área da pesca, o programa relaciona a proteção dos rios ao fortalecimento das atividades econômicas ligadas ao setor e ao turismo de pesca, tema especialmente relevante para regiões do Pantanal e das bacias do Cuiabá e Paraguai.

    A discussão também envolve os efeitos econômicos da legislação atual, uma vez que a própria Lei do Transporte Zero determina que a avaliação considere pescadores, produtores e comerciantes de iscas, pousadas e outros segmentos afetados pela restrição.

     

    Natasha prevê participação de comunidades na política ambiental

    Natasha Slhessarenko (PSD) insere a proteção dos recursos hídricos e das comunidades tradicionais em uma política ambiental mais ampla, com participação social e fortalecimento da estrutura pública responsável pela área.

    O programa relaciona a conservação dos rios à proteção das populações que dependem diretamente dos recursos naturais e prevê maior presença do Estado na formulação e execução das políticas ambientais.

    A questão é um dos pontos levantados pelo Observa-MT em relação à Cota Zero. A organização sustenta que as mudanças na legislação pesqueira produziram impactos sobre pescadores profissionais e comunidades que dependem da pesca e defende que esses efeitos sejam considerados na avaliação da política.

    Laudicério defende proteção dos rios e fiscalização

    Sargento Laudicério (Agir) inclui a preservação dos recursos hídricos entre os eixos de seu programa ambiental e relaciona a política à fiscalização e ao combate a atividades ilegais.

    O plano também prevê estratégias específicas para os diferentes biomas e maior integração entre órgãos ambientais e forças de segurança.

    Na pesca, a fiscalização continuará sendo um dos principais instrumentos de aplicação da legislação. Atualmente, além das regras específicas para espécies protegidas, permanecem as restrições do período de defeso e as exigências de documentação para diferentes modalidades de pesca.

     

    Maurício aposta em dados para orientar políticas ambientais

    Maurício Coelho (Mobiliza) propõe ampliar a utilização de informações e indicadores na gestão ambiental por meio do projeto chamado “Estado Ambiental Inteligente”.

    A proposta de integrar bases públicas e estabelecer indicadores de acompanhamento dialoga com uma das questões que estarão no centro da revisão da política pesqueira: a disponibilidade de dados que permitam medir a evolução dos estoques de peixes e os impactos econômicos das restrições.

    A própria legislação prevê que as espécies atualmente protegidas poderão ter a situação revista caso novos estudos científicos, confirmados pela Sema, indiquem restabelecimento ou diminuição dos estoques.

     

    Milas relaciona rios ao desenvolvimento sustentável

    Rafaell Milas (Missão) apresenta propostas ambientais concentradas na modernização da gestão e na conciliação entre preservação e atividade econômica.

    A proteção dos recursos naturais aparece associada ao desenvolvimento sustentável, ao turismo e às atividades produtivas. O programa não apresenta, porém, uma reformulação detalhada da Cota Zero ou uma metodologia específica para acompanhamento dos estoques pesqueiros.

     

    Avaliação cairá no próximo mandato

    A discussão sobre a Cota Zero não termina com a eleição. A Lei nº 12.434/2024 estabeleceu que a continuidade do período previsto na legislação, depois dos três primeiros anos, fica condicionada à avaliação de indicadores ambientais, pesqueiros e econômicos.

    Entre os pontos que deverão ser medidos estão a melhoria das condições ambientais, aumento dos estoques nos rios, evolução do turismo de pesca e situação econômica da cadeia produtiva. Depois dessa apuração, a legislação determina que o Executivo encaminhe projeto de lei propondo eventuais adequações.

    A legislação também permite rever a lista de espécies protegidas diante de estudos científicos confirmados pela Sema. Atualmente, 12 espécies estão submetidas à proibição integral de captura, abate e transporte pelo período previsto na lei, segundo as orientações do órgão ambiental.

    É justamente a produção desses dados que o Observa-MT coloca sob questionamento. No balanço, a organização afirma não identificar informações primárias suficientes para uma comparação dos estoques pesqueiros antes e depois da política e defende que a avaliação considere também os impactos socioeconômicos sobre quem dependia da atividade.

     

    Fonte: Olhardireto

  • Prefeitura de Nova Mutum prevê investimentos de R$ 719 milhões para o próximo ano, com investimentos de 64% em áreas essenciais

    Prefeitura de Nova Mutum prevê investimentos de R$ 719 milhões para o próximo ano, com investimentos de 64% em áreas essenciais

    Foram demonstradas as projeções de receitas e despesas do Município, a origem dos recursos e as principais áreas contempladas no planejamento para o próximo exercício

     

    A Prefeitura de Nova Mutum realizou, nesta sexta-feira (18), na Câmara Municipal a Audiência Pública para apresentação das peças de planejamento orçamentário, com destaque para a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 e sua integração com o Plano Plurianual (PPA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A proposta orçamentária consolidada para 2027 alcança R$ 719,04 milhões, representando crescimento de aproximadamente 9,9% em relação à receita projetada para o encerramento de 2026.

    Entre as principais fontes de recursos estão as transferências correntes, estimadas em R$ 380,87 milhões, e as receitas tributárias municipais, projetadas em R$ 160,13 milhões. Entre os tributos arrecadados diretamente pelo Município, destacam-se o ISSQN, com previsão de R$ 72,81 milhões, e o IPTU, com R$ 35,91 milhões.

    Na aplicação dos recursos, Educação, Saúde e Infraestrutura e Obras concentram aproximadamente R$ 458 milhões, correspondendo a cerca de 64% de todo o orçamento previsto. A Educação conta com R$ 231,49 milhões; a Saúde, R$ 135,55 milhões; e Infraestrutura e Obras, R$ 91,02 milhões.

    Outro destaque é a previsão de aproximadamente R$ 117 milhões para investimentos, equivalente a 16,3% da despesa projetada para 2027. Já as despesas com pessoal representam 46,6% e as despesas de custeio, 32% do orçamento.

    A audiência também reforçou a importância da transparência e da participação popular no processo de planejamento, possibilitando que a sociedade conheça de onde vêm os recursos públicos, quais são as prioridades estabelecidas e como o orçamento deverá ser distribuído entre as diferentes políticas públicas.

    Estamos apresentando uma proposta orçamentária responsável, construída com base em projeções realistas de receita e alinhada às prioridades da população. A destinação de cerca de R$ 458 milhões para Educação, Saúde e Infraestrutura demonstra o compromisso da gestão em manter e ampliar serviços essenciais, acompanhar o crescimento de Nova Mutum e garantir investimentos que promovam mais qualidade de vida para a nossa comunidade“, Terezinha Arissava, secretária municipal de Finanças e Orçamento.

    As propostas integram um processo que envolve planejamento técnico, participação social e posterior apreciação pelo Poder Legislativo, onde as peças orçamentárias serão discutidas antes da aprovação e sanção.

    Fonte: Assessoria

  • Médica: cigarro e vape inflamam artérias, pulmões e alteram DNA

    Médica: cigarro e vape inflamam artérias, pulmões e alteram DNA

    Pneumologista alerta para riscos de câncer, infarto, AVC e outras doenças provocadas pelo tabagismo

    A especialista explicou que, ao longo dos anos, esse processo pode aumentar o risco de infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC), tumores, enfisema, bronquite crônica, tuberculose e diabetes, além de causar danos à circulação que podem levar até à impotência sexual.

     

    É uma arteriopatia, um aumento de pressão, aumento da frequência e uma alteração cerebral, fora as mutações ligadas ao DNA, que são lentas, mas que são responsáveis por vários tipos de tumores”, afirmou em entrevista ao MidiaNews.

    Segundo ela, os efeitos são silenciosos no início e, justamente por isso, muitos jovens não percebem que o organismo já está sendo afetado.

    Keyla alertou ainda para o impacto sobre quem não fuma, mas convive com fumantes. Segundo ela, o tabagismo passivo pode provocar as mesmas doenças do tabagismo ativo e é especialmente prejudicial às crianças. “São fumantes. Eles adoecem das mesmas coisas”, afirmou Keyla.

     

    Uma pesquisa do A.C. Camargo Cancer Center, divulgada em agosto, apontou que 19% dos brasileiros entre 16 e 24 anos, faixa que integra a Geração Z, são fumantes de cigarros convencionais ou eletrônicos. O índice é superior ao registrado entre pessoas de 25 a 40 anos (15%) e de 41 a 59 anos (17%).

    Para a pneumologista, a popularização do vape entre os jovens pode ampliar ainda mais esse problema, justamente porque a fumaça do cigarro eletrônico provoca menos irritação imediata e acaba sendo mais aceita pelos usuários e por quem está ao redor.

     

    O cigarro é um grande matador. As pessoas continuam adoecendo. De cada 10 pessoas que fumam, cinco vão morrer por doenças associadas ao tabaco. Com certeza, vai ser uma multidão de doentes [nos próximos 30 anos]”, afirmou.

    Keyla também chama atenção para o impacto econômico do tabagismo sobre o sistema de saúde. Segundo ela, a cada R$ 1 pago pela indústria em impostos, o Governo gasta R$ 5 no atendimento aos doentes, incluindo a saúde suplementar.

    Durante a entrevista, a pneumologista comparou os efeitos do cigarro, do vape e do narguilé, falou sobre os sinais que o organismo dá antes do adoecimento e orientou quem decidiu abandonar o vício.

    Confira os principais trechos da entrevista:

    MidiaNews – Se hoje praticamente todo jovem sabe que fumar faz mal, por que essa informação já não é suficiente para impedir que ele comece a fumar?

    Keyla Maia Percebo um paradoxo. Por um lado, nunca se conheceu tanto. Quando eu era jovem, era bonito fumar, era charmoso, era poder. Os carros de corrida tinham um Marlboro, o famoso “cowboy”. Depois veio a triste constatação de que nós fomos enganados e que, na verdade, o tabagismo é um grande matador, fruto de uma indústria extremamente poderosa, com recursos maiores que muitos países, que manipula as leis por meio do lobby e cujo único objetivo é ganhar dinheiro, como todo negócio.

    Veio a queda. O Brasil é campeão mundial em queda de tabagismo, uma referência. Eu creio que a pandemia foi um divisor de águas. As pessoas começaram a ficar enclausuradas, a comunicação passou a ser pelas redes sociais. Houve uma espécie de depressão, de falta de esperança. Três anos para quem tem 14 anos é diferente do que para alguém da minha idade, que nem vê passar. A partir dos 10, 11 anos, as pessoas começam a experimentar e a dependência surge em média entre 13 e 15 anos.

    E, para completar, vemos as questões trabalhistas. Elon Musk afirma que, em 2030, haverá mais robôs no mundo do que pessoas, que várias profissões vão desaparecer. Como ficam, nessa idade, os sonhos? O posicionamento? O “gás” para querer viver?

    Com o conhecimento, eu sei que mata. E, apesar disso, eu uso. Chego à conclusão de que as pessoas não estão muito interessadas na vida. É muito mais complexo. Todo mundo sabe que fumar faz mal. A gente fica enxugando gelo. “Fumar faz mal. A sua vida tem valor”. Será que, para ele, tem valor?

    O cigarro é um grande matador. As pessoas continuam adoecendo. De cada 10 pessoas que fumam, cinco vão morrer por doenças associadas ao tabaco. E a gente vai lutar pela vida, ao contrário da indústria. A gente vai lutar pela vida por meio da informação.

    MidiaNews – A senhora tem percebido esse aumento de fumantes jovens no consultório?

    Keyla Maia – Não, porque o jovem não procura ajuda. Ele se acha. “Está tudo certo. O vape não faz mal. Eu paro quando eu quiser”. O problema do jovem é a prepotência, a arrogância, o desprezo pelas gerações anteriores. O idoso é descartável. A experiência é descartável. A dor de perder alguém pelo tabagismo: “Não, comigo não vai acontecer”.

    A informação é de que houve um aumento de 600% no uso do vape, apesar de ser proibido. No vape tem nicotina, uma das drogas mais potentes em causar dependência. E, para piorar, o vape não usa mais nicotina “ecológica”, que vinha da planta. Agora é nicotina sintética e a dependência é muito maior. A absorção é mais rápida e a percepção é menor.

    Ela não arde a garganta, não queima a boca. É tudo suave. Foi um grande “pulo do gato da indústria”: fizeram um lobby em cima de que é menos nocivo e é altamente viciante. As pessoas usam achando que vão parar quando quiserem. Não param. Você se torna um dependente químico, como qualquer outro. Então, quando você vê um “noiado” na rua, olha bem para o pé dele, você é um. Só que você está todo bonitinho, arrumadinho, mas não consegue largar a nicotina quando quer.

    MidiaNews – O que acontece no organismo de um jovem quando ele começa a fumar? Quais são os efeitos da nicotina?

    Keyla Maia – A nicotina gera primeiro uma alteração cerebral. Os receptores de nicotina vão se multiplicando e, a partir daí, vão solicitando a droga. Existe uma transformação da estrutura cerebral, liberando o neurotransmissor que leva ao relaxamento, à redução do constrangimento social. Alguns a usam para atenção quando precisam se concentrar, estudar, ler.

    Em termos gerais, gera um processo inflamatório a nível de pulmão, em maior ou menor grau, dependendo do quanto você usa e da sua genética. Tem gente que fuma pouco e adoece muito, e tem gente que fuma muito e adoece pouco. No aparelho respiratório, aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, tudo muito sutil. A pessoa não consegue perceber naquele momento.

    Essa inflamação atinge também os vasos sanguíneos do corpo inteiro. Por exemplo, chega ao pâncreas, tanto que, a longo prazo, o diabetes é uma das doenças associadas ao tabagismo, porque ele vai destruindo a circulação periférica, inclusive a circulação peniana. É também uma causa de impotência sexual.

     

    Então, há uma arteriopatia, aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, além de alterações cerebrais. Isso sem falar nas mutações ligadas ao DNA, que ocorrem lentamente, mas estão relacionadas ao desenvolvimento de vários tipos de tumores. Há, inclusive, aumento da incidência de câncer de mama, que aparentemente não teria relação com o cigarro, mas tem.

     

    Além disso, há toda a questão dos órgãos afetados pelas substâncias do cigarro ao longo do organismo, incluindo a bexiga, por onde parte delas é eliminada.

     

    MidiaNews – Quais são as principais doenças que um fumante pode desenvolver ao longo da vida?

    Keyla Maia – A primeira causa de óbito de quem fuma não é o pulmão. É o infarto agudo do miocárdio, por essa doença arterial, que vai tornando as artérias rígidas pela inflamação. Lembrando que as mulheres têm a coronária mais fina que os homens. Elas adoecem do coração muito mais rápido do que eles.

    Depois vem o derrame, acidente vascular cerebral, junto com o infarto agudo, como causa de óbito.

    Depois vêm os tumores. Tumor de boca, de garganta, de estômago, de bexiga, linfoma, leucemia. Enfim, são muitos os tumores que trazem o óbito em função da mudança do DNA. O cigarro tem esse poder de alterar a estrutura do DNA. Depois vêm as doenças pulmonares. A primeira é o famoso enfisema. Imagine uma roupa comida por traças, cheia de buracos. O enfisema faz um monte de buracos no pulmão e ali não tem mais nada, não ocorre respiração. Por isso é uma doença tão difícil de tratar. Quando a pessoa procura precocemente, ela tem condição de frear. Quando a pessoa para de fumar, todo aquele processo regride. Não para, mas regride. Se ele estava indo a 100 por hora, vai passar a 20 por hora. Conseguimos reduzir a evolução.

    O câncer, quando não responde ao tratamento, mata muito rápido, em até dois ou três anos. O enfisema, não. São seis, oito anos, e vai cortando o fôlego da pessoa até ela já não conseguir, por exemplo, tomar banho sozinha. Então, é uma doença que produz muito sofrimento.

    Tem o enfisema puro, que é falta de ar, que a pessoa às vezes atribui ao sedentarismo ou sobrepeso. Mas tem o misto com bronquite crônica, que são os escarradores. Tem paciente que produz muita secreção. É um problema social. Numa entrevista como essa, ele já teria tossido várias vezes e escarrado.

    Depois vem a tuberculose, que ainda é uma grande causa de óbito no mundo. Ela é muito mais frequente em quem fuma, porque as defesas pulmonares diminuem. Depois vem o diabetes, cuja frequência é muito maior em quem fuma.

    Se a mulher fuma enquanto está gestando, as crianças tendem a ser pequenas, prematuras e vítimas de óbito súbito no primeiro ano de vida.

    Vale a pena falar aqui do tabagismo passivo. Foi feito um trabalho no Hospital Infantil, no Paraná, em que de todas as crianças internadas por problema respiratório, seja asma, pneumonia ou bronquiolite, 98% eram filhos de fumantes. Quer dizer, eles são fumantes. E você consegue dosar a quantidade de cigarro que eles fumam por meio da urina, por uma substância chamada cotinina.

    MidiaNews – Podemos dizer que fumantes passivos são fumantes?

    Keyla Maia – São fumantes. Eles adoecem das mesmas coisas. Já me aconteceu mais de uma vez: a esposa de um fumante chega com câncer de pulmão relacionado ao tabagismo e o marido nem doente está. Você vai conversar e ele fuma dentro de casa, às vezes, dentro do quarto. Então, o tabagismo passivo é tão letal quanto o tabagismo ativo. Se você rói sua unha, o problema é seu. Mas, se você fuma, o problema é nosso. Você vai adoecer as pessoas ao seu redor.

    Lembrando que a incidência de alergia é muito alta, em torno de 30% da população, e a fumaça do cigarro é extremamente irritante.

    Aí entra o vape na enganação, porque ele não dá essa irritação. Então, as pessoas aceitam.

    MidiaNews – O cérebro ainda está em desenvolvimento durante a adolescência e o início da vida adulta. Eles se viciam mais rápido do que os adultos?

    Keyla Maia – Se viciam da mesma forma. O que muda é a consciência do problema. O jovem tende a minimizar. O adulto já sabe que aquilo vai ter consequência, e a tendência é evitar o uso. Menos de 5% das pessoas começam a fumar a partir dos 20 anos. A maioria começa antes.

    Mas o que pode ter alteração cerebral — e aí eu talvez não seja autoridade para falar — é a neuroplasticidade no sentido da formação, da maturidade, da consciência, da tomada de decisão, aquela transição de ser adolescente, de achar que é dono do mundo e que o mundo gira ao seu redor, e a questão de você se posicionar com responsabilidade diante da sua vida, sabendo que você é quem é responsável pelas suas escolhas.

    MidiaNews – Do ponto de vista pneumológico, o cigarro convencional, o vape e o narguilé fazem mal da mesma forma?

    Keyla Maia – Isso vai depender muito do quanto se usa. Por exemplo, o narguilé: uma sessão de narguilé de uma hora corresponde a cinco maços de cigarro fumados. São cem cigarros. É diferente se você dá uma pitadinha de alguém e fica sentada naquela roda. Então, essa é a primeira coisa: o quanto eu uso.

    O cigarro tradicional, além da nicotina, tem já catalogadas mais de 5 mil substâncias. Ele tem um poder de agressão maior, não em termos de nicotina e de dependência. Um cigarro industrializado contém um miligrama de nicotina. Já o vape nem se sabe direito o que se tem, quanto se tem. Não é legalizado, tem sido estudado, cada hora vem de uma origem. Já se pegou vape com até 32 miligramas de nicotina.

    Isso vai trazer uma falsa impressão de que não está me agredindo, porque é vapor de água, não tem aquele alcatrão, aquele cheiro de cigarro. Mas o conteúdo é agressivo. Então, é uma pergunta difícil de responder. Já o narguilé, se você usar só tabaco, porque tem quem misture cannabis e por aí vai, você vai ter essa correspondência: uma hora, cinco maços.

    Mas o vape não dá para falar, porque a quantidade de nicotina é muito maior, sem controle nenhum.

    A indústria do cigarro não pode produzir cigarro com mais de um miligrama de nicotina, porque ela é uma droga legalizada, vigiada, controlada, tem controle de qualidade como qualquer coisa. Paga imposto.

    MidiaNews – A pesquisa aponta que 19% dos jovens da Geração Z são fumantes. O que podemos esperar daqui a 10, 20 ou 30 anos?

    Keyla Maia – Você vai cair naquela estatística de que metade deles vão estar doentes. Não é todo mundo. Eu nunca esqueço o desfavor que o Oscar Niemeyer fez no aniversário de 100 anos, ele soprando a vela com cigarro na mão. É um desfavor, é pensar só em si: “Não me fez mal”, mas fez para quanta gente?

    É igual a uma roleta-russa. Você tem uma arma, cabem seis balas e te colocam três para você fazer a sua roleta-russa. Alguém vai morrer. Metade deles vai estar doente e caminhando para o óbito. Com certeza, vai ser uma multidão de doentes.

    O que é um problema para o país, porque, a cada R$ 1 que a indústria paga de imposto, o governo gasta R$ 5 cuidando dos doentes, incluindo a saúde suplementar, como a Unimed. Então, o que a indústria paga de imposto não chega nem perto do que aquelas pessoas vão dar de despesa para a saúde.

    Fora o gasto da própria pessoa. Por exemplo, no caso do câncer, existe também um custo para a família. São três, quatro pessoas envolvidas, levando, buscando, acompanhando e dando apoio. Se você tem um enfisema pulmonar começando, precisa tratar a tosse, o catarro e a falta de ar. Tem medicações que custam R$ 400 a caixa por mês. É um único remédio. Quanto a pessoa passa a gastar depois para conseguir respirar? Existe o custo social para a família, o custo para a gestão da saúde e o custo pessoal.

    MidiaNews – Um fumante que interrompe o vício consegue recuperar os órgãos já afetados?

    Keyla Maia – Vai depender da quantidade e do tempo que ela fumou e da genética. Tem doenças que surgem com dois anos de tabagismo e precisam até de transplante de pulmão. Inclusive, com o vape, a doença chamada EVALI é uma inflamação que já matou vários adolescentes.

    Mas, independentemente disso, a pessoa que para de fumar melhora. Melhora rápido a frequência cardíaca, a pressão arterial e a tosse.

    Muitas vezes, o paciente procura a gente: “Ah, doutora, não paro de tossir. Já fui nesse e naquele especialista” e fuma. Então, a pessoa vive como se fosse no mundo do Peter Pan. Ela quer fumar porque fumar dá prazer, traz aquela repercussão emocional toda, mas não quer os sintomas que o cigarro traz.

    MidiaNews – Para os jovens ficarem alertas, que sinais no organismo indicam que estão adoecendo?

    Keyla Maia – O nariz. As pessoas me procuram muito porque estão tossindo. Aí eu pergunto do nariz. “Não, não tenho nada.” Quando eu vou examinar, mais de 80% têm o nariz inflamado. As pessoas não percebem, porque respiram mal pelo nariz a vida inteira. Elas acham que é normal. A pessoa vai usando a droga e essa mudança acontece devagar, elas não percebem.

    MidiaNews – O que significa ter o nariz inflamado?

    Keyla Maia – O nariz inflamado é meio inchado, pode não ter muco nenhum. A pessoa tende a respirar pela boca quando dorme e aquilo é uma causa de doença pulmonar. Porque o nariz é posto para fora como se fosse uma parabólica, está ali para defender o pulmão, tem pelo, tem sistema para segurar as bactérias. Tudo é para virar caca de nariz, não é para ir parar no pulmão. Mas as pessoas não percebem isso. Joga bola, corre, não percebe e, com o tempo, vai se acostumando, acha que é porque está sem fazer exercício.

    MidiaNews – Para quem já fuma e quer parar, qual seria a principal orientação?

    Keyla Maia – Fumar faz mal. Os jovens precisam se informar o mais profundamente possível a respeito disso, acreditar nisso e fazer escolhas mais maduras para evitar consequências ruins. E, havendo a decisão de parar, porque tem que ser pessoal, não adianta se pressionar. Temos, por exemplo, um programa multiprofissional na Unimed, com toda a medicação gratuita para os usuários da Unimed Cuiabá. Ninguém para de fumar hoje sem usar R$ 400, R$ 500 de remédio por semana. Sai caro. Então, busque ajuda.

    MidiaNews – Que programa é esse e como ele funciona?

    Keyla Maia – É o Programa Inspirar. Ele é fantástico. Funciona por oficinas, tem médico presente em toda oficina, psicólogos e nutricionista, porque 85% ganham peso e as mulheres, entre fumar e engordar, elas vão fumar. Tem fisioterapeuta para ensinar manobras de respiração. É um programa fantástico.

    Fonte: MidiaNews