Ed Motta Jornalista

6 desaparecimentos são registrados por dia em Mato Grosso

De janeiro a julho, Mato Grosso registrou 1.310 casos de pessoas desaparecidas, uma média de 6 por dia. Deste total, 685 foram localizadas, enquanto 625 (47%) ainda não têm o paradeiro conhecido, conforme aponta o Painel de Dados de Pessoas Desaparecidas da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Mas esses números podem não refletir a realidade, já que a falta de atualização no sistema da Segurança Pública não oferece a confiabilidade necessária aos dados oficiais.

O mesmo painel mostra que, no Brasil, no mesmo período, foram registrados 51.234 desaparecimentos, uma média de seis por dia. O Anuário da Segurança Pública aponta que o número de registros de pessoas desaparecidas no Brasil mantém trajetória ascendente, quando em 2025 foram registrados 84.269 desaparecimentos junto às polícias, um aumento de 3,6% em relação aos 81.040 casos contabilizados em 2024.

Mas, em Mato Grosso, a queda dos registros foi de -8,4%, caindo de 2.271 em 2024, para 2.112, no ano passado. Este ano, nos primeiros sete meses do ano, do total de desaparecidos, 867 eram homens e 443 do sexo feminino. Destes, 895 tinham mais de 18 anos, 405 entre 0 e 17 anos e 10 não tiveram as idades anotadas. Números do Núcleo de Pessoas Desaparecidas (NPD), da Polícia Civil, indicam que o maior número de registros ocorreu na região metropolitana. Em Cuiabá, foram 266 casos e 124 em Várzea Grande, somando 390 desaparecidos nas duas maiores cidades do Estado. Na sequência estão Sinop com 127 registros, Rondonópolis com 72, Nova Mutum (66), Pontes e Lacerda (49), Tangará da Serra (45), Primavera do Leste (44), Cáceres (41), Juína (39) e Água Boa (34).

 

O delegado Bráulio Junqueira, que comanda a DHPP de Sinop, garante que os números atribuídos ao município de forma alguma revelam uma situação real de pessoas desaparecidas ou mortas. Dos 127 registros de janeiro a julho, 14 teriam sido localizados, restando 113 sem paradeiro conhecido. “O que acontece é que é feito o primeiro registro, mas depois, quando a pessoa volta, essa informação não é fornecida pela família. É o que ocorre na maioria dos casos”.

Segundo Junqueira, em casos em que a vítima continua desaparecida por um período maior, a família cobra constantemente informações na Polícia Civil. Assegura que na DHPP não existe efetivo nem tempo para ficar trazendo as pessoas para serem ouvidas e esclarecer se a pessoa reapareceu. São muitas demandas com investigações de homicídios. Lembra que são muitas situações que envolvem desaparecimento e nem todas têm relação com crimes.

Desde idosos com demências, pessoas sem qualquer envolvimento com crimes que aparentemente abandonam tudo e vão embora também.

 

Mas em todos os casos, quando a família nos procura, damos apoio e, se necessário, requisitamos ordens judiciais para quebra de sigilos bancários ou telemáticos, buscando localizar o paradeiro da pessoa. Quando têm informações relevantes, pedimos apoio do Cioaper para sobrevoo de drones em áreas indicadas, entre outras medidas”, diz o delegado.

 

Cita um caso recente de um jovem que tirou a própria vida se jogando com o veículo em um rio. Foram várias diligências com a ajuda de câmeras até localizar o carro com o corpo, dentro do rio. Cita outro caso de um morador que tem problemas cardíacos e saiu para pescar. A família registrou sumiço, mas sem as informações mais básicas, como, por exemplo, onde e com quem ele costumava pescar.

Outro foi visto pegando um ônibus na rodoviária para o Pará, e a família registrou como desaparecimento. Junqueira aponta que, em algumas situações, quando a pessoa tem envolvimento com o crime, ou é usuária de drogas e some, a possibilidade de ter sido morta em ação de faccionados é grande. Então, a polícia dá o apoio à família e fica atenta a denúncias e situações envolvendo localização de corpos ou ossadas.

Fonte: Gazetadigital

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