Ed Motta Jornalista

Amaggi compra 40% da FS e cria gigante de biocombustíveis em Mato Grosso

Acordo bilionário une a maior potência brasileira de grãos à pioneira do etanol de milho. Transação foi protocolada no Cade nesta quarta-feira

Em uma movimentação que redefine o eixo de poder do agronegócio nacional, a AMAGGI oficializou a compra de 40% do capital social da FS, gigante da produção de etanol de milho. O negócio, protocolado nessa quarta-feira (13) junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), marca a união entre a maior empresa brasileira de grãos e fibras e a líder em biocombustíveis de baixa emissão de carbono.

A transação simboliza a convergência estratégica entre o grupo americano Summit Agricultural Group e a família Maggi, consolidando um projeto de verticalização e descarbonização da economia verde no Brasil.

Para a AMAGGI, que completa 50 anos em 2027, o investimento é o passo mais ambicioso em sua estratégia de industrialização. Ao entrar no setor de etanol, a companhia, que faturou alto com a comercialização de 24,7 milhões de toneladas de grãos na última safra, passa a processar internamente o milho que já produz e comercializa, otimizando logística e exportações.

 

Estudamos nossa entrada nesse setor há anos. Esse investimento em etanol de milho trará excelentes resultados“, afirmou Judiney Carvalho, CEO da AMAGGI, destacando que a parceria reforça as metas de sustentabilidade do grupo.

O ex-ministro da Agricultura e acionista da AMAGGI, Blairo Maggi, enfatizou a confiança no novo desenho societário. “Estou confiante no alinhamento de valores e na capacidade de execução que fundamentam este negócio. Que esta seja a primeira de muitas conquistas“, declarou.

 

Do lado da FS, o CEO Rafael Abud destacou que a estrutura robusta da AMAGGI na cadeia produtiva elevará a competitividade da empresa de biocombustíveis, que já opera com uma receita líquida de R$ 12,8 bilhões e projeta expansão global diante da necessidade de descarbonização dos transportes.

A conclusão do negócio agora depende apenas do aval das autoridades concorrenciais brasileiras. Com a operação, a FS, que processa 6 milhões de toneladas de milho por ano e produz a proteína animal DDG, ganha fôlego financeiro e logístico para acelerar seu novo ciclo de expansão.

A parceria é vista pelo mercado como um movimento defensivo e agressivo ao mesmo tempo: defende a margem de lucro através da verticalização e agride o mercado global com o etanol de menor pegada de carbono do mundo.

 

Fonte:  Reporter MT

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