A Prefeitura de Sorriso vai fazer, na próxima terça-feira (14), às 8h no horário de MT, o Pregão Eletrônico nº 014/2026 para a contratação de uma empresa especializada em locação de veículos. O processo licitatório, conduzido pela Secretaria Municipal de Administração (SEMAD), prevê um gasto de R$ 4.429.656,24 para manter uma “frota paralela” na cidade.
O “Estudo Técnico Preliminar” (ETP) detalha que o montante servirá para atender 13 secretarias. Ao todo, a gestão do prefeito Alei Fernandes (União Brasil) planeja colocar nas ruas 91 veículos alugados.
A exigência para a empresa vencedora é, com exceção dos caminhões, de que todos os automóveis tenham no máximo dois anos de fabricação e quilometragem inferior a 30 mil km, garantindo carros com “cheiro de novo” para o funcionalismo.
O ponto mais crítico do documento técnico (item 9.1) é a admissão de que a contratação é “interdependente”. Na prática, os R$ 4,4 milhões representam apenas o aluguel dos veículos.
Para que a frota rode, o contribuinte de Sorriso terá que arcar com novas licitações para combustíveis e mão de obra (motoristas), custos que não estão inclusos neste certame e que devem elevar drasticamente o impacto real nas contas públicas ao longo dos 12 meses de contrato.
Brecha
A cláusula 3.2, alínea ‘n’ do edital, exige que as locadoras garantam a disponibilidade dos veículos 24 horas por dia, sete dias por semana.
O texto é explícito ao afirmar que os automóveis permanecerão à disposição da administração “mesmo não estando a serviço”, abrindo uma brecha para que servidores utilizem os carros oficiais em atividades particulares, fins de semana e feriados.
A frota
– 46 veículos de passeio (Hatch 1.0): Equipados com ar-condicionado, direção elétrica, sensores de estacionamento, rádio USB e rastreamento por satélite. O custo médio por unidade é de R$ 75 mil.
– 39 picapes utilitárias (Tipo Strada/Saveiro): Motorização 1.3 ou superior, com capacidade de carga de no mínimo 700 kg e rastreador. O custo médio de cada veículo é de aproximadamente R$ 100 mil
– 06 caminhões ¾ com engate: Único item com exigência mais flexível, aceitando modelos com fabricação a partir de 2017. Veículos desse porte costumam custar a partir de R$ 300 mil.
Embora a prefeitura alegue que a locação evita custos de manutenção, os números sugerem uma escolha desfavorável ao cidadão. Com os mesmos R$ 4,4 milhões, em um ano de contrato, a prefeitura conseguiria comprar quase metade dessa mesma frota.
No modelo de aluguel escolhido por Alei Fernandes, o valor médio mensal por veículo é de R$ 4.056,00. Ao final de um ano, Sorriso terá desembolsado o montante milionário e não terá um único pneu como propriedade do município, mantendo a dependência de renovações contratuais.
Fonte: ReporterMT

