A delegada Ana Carolinne Lacerda, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Barra do Garças, afirmou que o médico João Paulo Moura Cavalcante, de 42 anos, preso nesta terça-feira (20) por crimes de violência doméstica mantinha um padrão de comportamento agressivo contra as vítimas ao longo dos relacionamentos.
Segundo a investigadora, o acusado “ia trocando as vítimas e mantendo esse mesmo ciclo de violência doméstica”, com atos cada vez mais graves ao longo do tempo. De acordo com a delegada, as investigações identificaram características semelhantes nos relatos das vítimas. Conforme ela, o homem inicialmente conquistava a confiança das mulheres e, com o passar do tempo, começava a exercer controle psicológico, intimidação e humilhações.
“O que a gente percebe é uma agressividade e impulsividade muito grandes. Ele ganha a confiança da vítima, passa a exercer algum tipo de controle, intimidação e humilhação, tornando essa mulher emocionalmente dependente dele. A partir daí ele vai praticando atos agressivos”, afirmou a delegada.
O médico foi alvo de dois mandados de prisão, sendo um deles relacionado a uma condenação definitiva de 12 anos e três meses pelos crimes de estupro, sequestro, cárcere privado e lesão corporal contra uma ex-companheira. O outro é relacionado a uma investigação recente de violência doméstica envolvendo uma jovem de 21 anos.
De acordo com a delegada, algumas vítimas deixaram de denunciar ou desistiram de continuar os procedimentos por medo do suspeito.
“Tem vítima que vem, mas não quer finalizar o procedimento. Às vezes a gente recebe denúncia anônima, mas quando ela é ouvida, por receio e intimidação, acaba dizendo que nada aconteceu”, explicou.
Ana Carolinne reforçou a importância das denúncias e afirmou que os relatos ajudam a fortalecer as investigações. “Uma vítima acaba ajudando a outra. Quando ela relata, conseguimos reunir elementos que dão mais peso aos procedimentos e ajudam na responsabilização do agressor”, disse.
A delegada também destacou que a violência doméstica acontece em todas as classes sociais e alertou para o fato de que muitas vítimas sentem receio de denunciar homens com influência financeira ou profissional.
“Essas situações de violência não acontecem apenas em um núcleo específico. Acontecem em qualquer tipo de relacionamento, inclusive principalmente com pessoas de uma classe às vezes um pouco mais alta que aí acaba que dificulta até mais a divulgação, essa pessoa fica até mais receosa de dar voz ali ao que aconteceu”, afirmou.
Ela ressaltou ainda que a atuação policial ocorre de forma igualitária. “A polícia está aqui para trabalhar de forma indiferente de classe social ou de quem seja o agressor. Nosso trabalho vai ser realizado para tentar reprimir ao máximo esse tipo de crime”, declarou.
O médico foi localizado pela Polícia Civil em sua residência, no bairro Santo Antônio, em Barra do Garças, e permanece à disposição da Justiça.
Fonte: Reporter MT



