Dia: 23 de janeiro de 2026

  • Cattani diz que condenação pela morte da filha é um alento, mas cita dor: ‘não tem como esquecer, o que está feito, está feito’

    Cattani diz que condenação pela morte da filha é um alento, mas cita dor: ‘não tem como esquecer, o que está feito, está feito’

    O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) afirmou que a condenação dos réus pelo assassinato de sua filha, Raquel Cattani, representa um alento para a família, embora não seja capaz de encerrar a dor provocada pelo crime. A declaração foi dada após o encerramento do Tribunal do Júri que condenou os irmãos Romero e Rodrigo Xavier Mengarde, na madrugada desta sexta-feira (23), em Nova Mutum.

    É como um remédio amargo. Não tem como encerrar, não tem como esquecer, não tem como modificar. O que está feito, está feito. Mas é uma coisa que ameniza sim“, disse o parlamentar, ao comentar a decisão que resultou em mais de 63 anos de prisão somados aos condenados.

    Para Cattani, apesar da expectativa pela condenação, as penas aplicadas ainda refletem fragilidades da legislação penal brasileira. “As limitações de condenação, em nosso entendimento, são fracas no nosso país. Mas é um alento, é a sensação de que eles vão pagar ao menos um pouco daquilo que fizeram de mal à sociedade, principalmente à nossa família“, afirmou

    O deputado também fez questão de diferenciar críticas ao sistema legal de eventuais questionamentos à atuação dos profissionais envolvidos no julgamento. Segundo ele, Ministério Público, Defensoria Pública e Judiciário cumpriram seus papéis de forma exemplar ao longo do processo.

    Quando eu digo que a justiça falha no nosso país, não me refiro aos agentes envolvidos, mas às legislações. Ver a justiça sendo efetivada como foi aqui é o que mais nos conforta“, declarou. Cattani ainda elogiou a condução do júri, destacando a atuação da magistrada e dos demais participantes da sessão. “Todos foram espetaculares nas suas funções“, completou.

    Raquel Cattani foi morta a facadas em julho de 2024, aos 26 anos, dentro da própria residência, em Nova Mutum. O crime foi enquadrado como feminicídio, praticado no contexto de violência doméstica, e teve todas as qualificadoras acolhidas pelo Conselho de Sentença.

    O réu Rodrigo Xavier Mengarde foi condenado a 33 anos, 3 meses e 20 dias de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado e furto majorado. Já o réu Romero Xavier Mengarde recebeu a pena definitiva em 30 anos de reclusão pelo homicídio qualificado. Ambos cumprindo em regime fechado.

    Fonte: Olhar juridico

  • Alta Floresta e Guarantã do Norte ganham documentário inédito sobre colonização

    Alta Floresta e Guarantã do Norte ganham documentário inédito sobre colonização

    Após meses de imersão no extremo norte de Mato Grosso, o Instituto Realize concluiu as filmagens do documentário “Cidades em Foco”, uma produção de caráter histórico e investigativo que retrata a formação, o desenvolvimento econômico e as belezas naturais dos municípios de Alta Floresta e Guarantã do Norte. A estreia está prevista para março de 2026, com exibição gratuita em plataformas digitais.

    Gravado no formato de expedição investigativa, o documentário percorreu centenas de quilômetros pela região, explorando paisagens marcadas pela imponência do Rio Teles Pires, pela biodiversidade amazônica e pelos contrastes que definem o norte mato-grossense. Mais do que imagens aéreas e registros naturais, a produção prioriza as histórias humanas que moldaram essas cidades.

    O projeto propõe uma reflexão sobre a trajetória dos municípios a partir da visão de pioneiros, historiadores e trabalhadores, confrontando os projetos de colonização da década de 1970 com a atual realidade tecnológica, econômica e social. A proposta é compreender como o passado influenciou o presente e quais caminhos se desenham para o futuro.

    Com equipamentos de cinema de alta performance, a direção de fotografia explora o contraste entre áreas de preservação ambiental — como o entorno do Parque Estadual do Cristalino — e as atividades que impulsionam a economia regional, como o agronegócio e a exploração mineral.

    De acordo com o presidente do Instituto Realize, Marcelo Carvalho, o principal objetivo do documentário foi construir um retrato fiel da identidade regional, ouvindo diferentes perspectivas.

    Nossa missão com o Cidades em Foco foi ir além da superfície. Não fomos ao Norte do Estado apenas para produzir belas imagens, mas para ouvir. Conversamos com pioneiros, historiadores e pessoas que dedicaram a vida a essa terra. O que o público verá não é apenas a história de duas cidades, mas um registro da coragem humana e das contradições do desenvolvimento. É um legado audiovisual para as futuras gerações”, destacou.

    O roteiro também aborda capítulos pouco conhecidos da história regional, como os vestígios arqueológicos identificados em Guarantã do Norte, evidenciando que a ocupação humana na área antecede a colonização moderna.

    Lançamento
    O documentário é uma realização do Instituto Realize, com patrocínio do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), e da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A iniciativa conta ainda com apoio institucional do Instituto Criar e do portal RDNews.

    Fonte: Redação

  • “Ele acabou com a vida dos filhos; tirou o direito de terem a mãe”

    “Ele acabou com a vida dos filhos; tirou o direito de terem a mãe”

    A produtora rural Sandra Maziero Cattani, mãe da empresária Raquel Maziero Catani, se emocionou ao depor no julgamento do assassinato da filha, nesta quinta-feira (22), e disse que o ex-genro, Romero Xavier Mengarde, réu pelo crime, destruiu a vida dos filhos e tirou o direito deles terem a mãe.

    Além de Romero, também senta no banco dos acusados o irmão dele, Rodrigo Xavier Mengarde, autor confesso das facadas que mataram a empresária em 18 de julho de 2024, em sua chácara no Pontal do Marape, em Nova Mutum.

    A gente só vê a dor dos outros até acontecer com a gente. Ele acabou com a vida dos filhos dela, tirou o direito de eles terem a mãe”, disse Sandra, que depõe como testemunha no Tribunal do Júri.

    Espero que Deus amenize a dor. A Raquel faz muita falta. Eu creio que vai ser feita justiça. O mínimo que espero é que sejam condenados e peguem a pena máxima, mas isso não vai trazer ela de volta”.

    A mãe da empresária contou que os filhos de Raquel estão sob os cuidados da família materna desde o crime, e ambos sabem que ela morreu. Segundo Sandra, as crianças sentem muita saudade e demonstram isso diariamente, lembrando dos momentos vividos com Raquel.

    Emocionada, ela disse que a caçula mantém forte vínculo com a memória da mãe, e pede para ver fotos e vídeos no celular todas as noites, além de usar constantemente uma camiseta com referência à mãe, recusando-se a tirá-la.

    Sandra ainda descreveu Raquel como trabalhadora, simples e dedicada, criada no sítio, onde viveu e trabalhou durante toda a vida. Relatou que a filha estava em plena ascensão profissional, cuidava sozinha da casa, dos filhos, com quem tinha forte vínculo, e da produção rural de queijos.

    A descoberta do corpo

    À promotora de Justiça Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes, relatou que antes de descobrir a morte da filha, estranhou o fato de ela não ter ido visitá-la em seu sítio pela manhã, como fazia habitualmente.

    Assim, decidiu ir até a chácara de Raquel, e logo que abriu a porta viu a filha no chão. Inicialmente, pensou que ela pudesse ter caído ou passado mal, mas, ao se aproximar e tentar ajudá-la, percebeu que a filha já estava sem vida, com o corpo gelado e rígido.

    Sandra afirmou que, desesperada, chamou-a pelo nome e tentou levantá-la, mas pouco depois entendeu que a filha estava morta. Ela disse que, no momento, não conseguia acreditar no que viu.

    Violência psicológica

    A mãe da empresária contou que Raquel e Romero estavam separados há cerca de 30 dias, e a filha evitava contato com o ex-marido, situação que era presenciada por todos da convivência.

    Sandra reafirmou que a filha sofreu violência psicológica, com episódios de humilhações e xingamentos, inclusive relacionados à perda auditiva, o que causava sofrimento constante.

    A mãe de Raquel também confirmou os relatos de que Romero era controlador e constantemente fazia comentários pejorativos e a humilhava. Em um desses episódios, Romero acessou o celular de Raquel sem permissão e divulgou em grupo de WhatsApp da comunidade conversas pessoais dela.

    Segundo ela, Raquel tentou manter o relacionamento com Romero, mas diante da pressão psicológica e do desgaste emocional, decidiu se separar por não suportar mais a situação.

    Apesar de o relacionamento ter constantes idas e vindas, dessa vez, Raquel estava decidida, tanto que o ex-casal já havia acertado sobre bens e cuidados com os filhos, sendo apenas este o vínculo entre eles.

    Fonte: Midianews

  • Júri condena assassinos de Raquel Cattani a mais de 30 anos de prisão

    Júri condena assassinos de Raquel Cattani a mais de 30 anos de prisão

    O Tribunal do Júri condenou, na madrugada desta sexta-feira (23), os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde a mais de 30 anos de prisão, pelo assassinato da empresária Raquel Maziero Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL).
    A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença após um dia inteiro de julgamento marcado por depoimentos, interrogatórios e sustentações orais da acusação e da defesa.
    O júri aplicou a pena máxima prevista em lei para o crime de feminicídio.

    A sessão foi presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, da 3ª Vara da Comarca do município.
    Romero, ex-marido da vítima, foi condenado como mandante do crime, com uma pena de 30 anos em regime fechado, enquanto Rodrigo foi considerado o executor, e pegou uma pena de 33 anos, 3 meses e 20 dias.
    Os jurados acolheram integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público, que sustentou que o crime foi premeditado e cometido de forma covarde, sem qualquer chance de defesa para a vítima.
    O júri aplicou a pena máxima prevista em lei para o crime de feminicídio.
    Relembre

    Raquel Cattani foi encontrada morta dentro da própria casa, no Assentamento Pontal do Marape, com múltiplas lesões causadas por arma branca. As investigações apontaram que o crime foi encomendado por Romero e executado pelo irmão, que ainda teria tentado simular um latrocínio para despistar a polícia.
    Durante o julgamento, Romero negou envolvimento e chegou a afirmar que teria sido torturado por policiais para confessar o crime, versão rechaçada pelo Ministério Público. Já Rodrigo optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório.

    Na fase de debates, o promotor João Marcos de Paula Alves fez um forte apelo aos jurados, afirmando que “quem só ouvir a versão de Romero sai abraçado com ele”, mas que o conjunto de provas demonstrava claramente a responsabilidade dos réus. Ele também exibiu uma foto de Raquel sorrindo e pediu que essa fosse a imagem preservada ao final do julgamento.

    Fonte: Redação